Editorial: Aos trabalhadores, dignidade

Dia do “trabalho” ou do “trabalhador”? Há quem use os dois termos para descrever o feriado do dia 1º de maio. A escolha diz muito sobre a data que não existe para exaltar a importância da força de trabalho para a realização das atividades da sociedade, mas para valorizar os trabalhadores, responsáveis produção e execução de quase tudo que temos ao nosso redor.

A data é celebrada desde 1889, quando milhares de operários saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, para protestar contra as péssimas condições de trabalho nas indústrias na ainda recente Revolução Industrial. 129 anos se passaram e ainda é preciso lutar por condições de trabalho dignas para a maior parte dos trabalhadores que, apesar da conquista de direitos, ainda sofrem com a exploração.

Segundo dados do ministério do Trabalho, nos últimos 10 anos quase 25 mil trabalhadores foram resgatados de situações análogas à escravidão. O próprio ministério afirma que o número representa apenas uma pequena parte dos casos, já que a maioria dos “empregadores” não é denunciado e o número de operações de fiscalização diminuíram drasticamente no último ano – foram apenas 341 contra as 855 em 2016.

Outro dado que assusta diz respeito ao desemprego crescente no país. Em janeiro de 2018 eram 12,7 milhões de desempregados. Durante o ano de 2017, houve uma diminuição de oferta de 527 mil cargos de carteira assinada no setor privado em todo o país. A Reforma Trabalhista, aprovada em 2017, também gera preocupações, uma vez que incentiva a diminuição de vínculos empregatícios e reduz direitos dos trabalhadores.

Todos esses dados servem para ilustrar a importância de tornar o 1º de maio uma data de reflexão e de luta. Luta pela garantia de direitos, pelo acesso aos serviços públicos, por oportunidades de emprego e pela dignidade de que diariamente constrói esse país.

 

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